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domingo, 15 de janeiro de 2012

AMOR QUE SE FAZ

 

Ao cair da noite,

no recôndito do meu quarto,

ouço passos...

À medida que se aproximam

reconheço, nas passadas,

o meu amor chegando.

Com o coração aos saltos preparo-me

para recebê-lo antevendo as carícias,

que na bagagem traz.

Sei do que é capaz.

Conhece meu corpo em cada detalhe.

Percorre cada centímetro em total

reconhecimento dos meus desejos e anseios.

Enquanto me beija repousa suas mãos

em meus seios, e faz do meu corpo o único

meio de extravasar a vida que

transborda abundante.

Nada é dissonante.

A noite acolhedora testemunha o amor

que se faz em chama ardente,

brilha ainda mais se dizendo contente,

num luar que reluz e seduz,

através do brilho presente.

Assim se faz o amor!

sábado, 14 de janeiro de 2012

FLUTUAR NA DOÇURA


Estava em meio a pensamentos vagos

entremeando devaneios distantes,

quase impossíveis de se olvidar.

Neles, o meu eu flutuava vagueando

por lembranças de momentos inesquecíveis

vividos em braços ternos,

na meiguice louca do teu olhar.

Várias são as cenas que sucessivas traziam

prazeres únicos, num único momento de amor.

Envolta no véu fino da sensual

silhueta desse amor, me pus a imaginar

o quanto de ti ainda há de compor,

as diversas cenas, pelas quais,

ainda insisto no clamor.

Reviro espaços, contorno os traços,

e neles desenho teu corpo...

Dou vida ao esboço que,

sem o menor esforço, movimenta

minh’alma transmite à calma,

e sucede prazeres em cada toque e dizeres.

O ouvido recebe o som,

diz que nada está fora do tom.

A boca saliva degusta o beijo que a tudo ativa,

e esquenta o corpo deixando a alma cativa.

Os braços recebem os diversos abraços,

que espargem no corpo a quentura dos

prazeres provocados pelo insaciável

desejo de te ter.

Os olhos avistam no coração,

o entrelaçar de razões deixadas de

lado, às ocultas, para que nada esmoreça

o transcender dos instintos que a

tudo invade, sem abrandar a loucura,

que é flutuar na doçura desse imenso amor.


LINEAR DE UMA NOVA ESTRADA

 

Pelos caminhos percorridos nada mais

teria sentido se não fosse a nova estrada...

Nela se apresenta o presente e o futuro,

num linear desenhado no ponto de partida

onde tudo pode ser perfeito.

Onde tudo pode estar a contento.

Onde nada pode nos dar o livramento.

Porque na estrada,

vidas serão encontradas.

Histórias serão escritas.

Amores serão vividos.

Dores serão sentidas.

Início, meio e fim.

Idas e chegadas.

Vidas rebuscadas na vontade de reviver

o que outrora se perdeu no tempo,

entre os contratempos dos diversos reversos

que se atravessam e não podemos evitar.

Buscamos revidar!

Traçando o linear de uma nova estrada,

onde tudo pode ser perfeito!


ORQUESTRA AFINADA

 



   Nosso encontro de ontem à noite,
   trouxe a brisa numa aragem fresca,
   a brincar em meus cabelos,
   num lúdico açoite dos fios.

   Trouxe a calma,
   preencheu o vazio da alma,
   e a todo o corpo invadiu.

   Senti o que é estar o amor a
   se propagar em cada célula,
   em cada vértebra,
   em cada centímetro do meu corpo
   sedento por tuas carícias,
   entregue às delícias,
   as quais reiteram o louvor.

   Busco as lembranças,
   revivo cada segundo em teus braços,
   afastando toda e qualquer dúvida que
   possa melindrar esse amor.

   Há que se esperar que com ele possa estar
   por longos anos a caminhar,
   de mãos dadas em meio a passarada,
   que como uma orquestra afinada,
   insiste em cantar o nosso amor.


HÁ DE PREVALECER


   Falar contigo,

   sentir o calor da tua voz,

   rejuvenesce meu ser e me põe a mercê,

   dos íntimos delírios que te vai à alma.

   Trazem-me a calma, e só a perco quando

   em teus braços estou

   em pleno frenesi de amor.

   Enrubesço quando digo que a ti pertenço, mas,

   não te vejo tenso ao saberes do que penso.

   Renovo os carinhos e nas carícias revivo

   as delícias de um amor em supremo alinho.

   Almejo o teu ninho, em nele me aconchegar,

   e por uma vida inteira poder te amar,

   até me acabar de tanto prazer!

   Assim nosso amor há de prevalecer!


QUARTO SOMBRIO


O quarto sombrio denota

o vazio que está na alma.

Em meio aos pensamentos funestos,

penso que não presto por estar neles a vaguear.

São viagens torpes,

carregadas,

estimuladas pelo desconhecido,

onde o amor foi vencido

pelas intempéries do tempo.

Tudo foi levado e arrastado pelo vento.

Sobraram os lamentos...

Nos destroços pedaços foram juntados

numa tentativa inútil de reunir o que era fútil,

e reciclar para recriar.

Transformar o meio em fim e

intercalar com o que, ainda, pode

vir num futuro próximo,

longe do passado em que de alguma forma,

possa te ter ao meu lado.

E o quarto sombrio, antes vazio, possa agora,

guardar os ecos de um amor vadio.


domingo, 8 de janeiro de 2012

SEM TI


A chuva cai lá fora.

Ainda está escuro nesse amanhecer.

A noite insiste em permanecer,

mas logo, logo, o dia amanhece.

Não importa se a noite insiste.

Não importa se a chuva persiste.

O que importa é  que o dia amanhece.

O temor por esse dia anula minhas fantasias,

porque sei que nele não estarás.

Alçasses voo,

fosses pra bem longe e comigo não estás.

Sei que voltarás.

Contudo, o que fazer até então?

Como controlar a paixão?

Essa que nos consome nos faz doer

até o abdômen, numa sucessão de amor.

Nos cega, nos deixa a mercê do querer,

nos faz desfalecer de tanto prazer!

Alivia a angústia ao mesmo tempo que

constrói os sentimentos passo-a-passo,

comprime os laços e renova

o coração em pedaços.

Desconcerta-nos.

Desarruma-nos todo e não há consolo

para a ausência, pois o meu coração está

repleto da tua presença.

O dia amanhece sem ti...

O que me consola, é que estás por vir.

EM BRANCO


O papel está em branco...

Espera por mais desabafos,

por mais extravasamento dos diversos

sentimentos provocados pela intensidade desse amor.

Por mais que eu queira deixar,

jamais o papel conseguirá captar o que

está a rolar nesse universo infinito.

Tento invento, falo a verdade, mas nada

consegue extrair o que está nas cavidades das veias,

nas teias entrelaçadas desse amor.

É arrebatador!

Neutraliza-me, energiza-me e torna-me imune às

diversas controvérsias, dessa história adversa.

Faz de mim um sei lá o quê, não me deixa perceber

que tudo há, para ainda mais, esse amor enaltecer.

Travo batalhas, fico no fio da navalha, mas nada

derruba o que o coração ausculta, no som do silêncio.

São batidas repetidas, ora lentas, ora céleres e

que a tudo diferem numa taquicardia sem covardia

em meio à sofreguidão desse amor.

Ah! O torpor!

Fico paralisada e sou arrastada por lembranças que

me levam ao êxtase.

Tornam-se meu vício e enrubesço só de lembrar.

Quero buscar.

Quero rolar nos devaneios e te ter em meus seios,

cativo, prisioneiro, escravo dos entremeios.

Os entremeios que deslizam por meus seios,

me levam à loucura e já não sou mais dona de mim.

Sou tua!


SÓ EMOÇÃO


Vivo em suspiros porque o amor

tomou conta de mim.

Não sei o que dizer, nem o que explicar,

mas o que sentir!

Te vejo o tempo todo em frente a mim,

e tua imagem circunda o ambiente

como um espectro intermitente.

Procuro a distração, dou um olé na emoção

e mesmo assim, só há uma razão: o amor.

Que leva às vias de fato,

me percorre com sublime tato,

na geografia de um território nato.

É dono, é hospedeiro, é hospitaleiro.

Faz de mim um brinquedo e me envolve

num enredo em que só o segredo não é lúdico.

Trago as imagens, recrio, revivo, restauro

e me instalo na esperança de tudo repetir,

a tudo retroagir, pra que jamais tenha fim.
 
É um repetir de emoções.

É um entrelaçar de corações.

Nunca, sequer, havia imaginado que Deus,

de bom grado, me faria assim feliz.

Traria esse amor em flor, me livraria da dor

e que pudesse me recompor, sem me reprimir.

Tirando as amarras, libertando os desejos

nos doces beijos que em ti dava,

e com total emoção libertava o coração,

e acabava de vez com a razão.

Ah! Esse amor não tem explicação.

Nele, só há emoção!