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sábado, 14 de abril de 2012

VIVEMOS O MUNDO

Vivemos o mundo!
O mundo nos vive.
Abraça-nos ou nos enxota 
feito moscas a irritar.
Põe-nos a gargalhar, por vezes, a chorar.
Abriga os sonhos e mostra o 
que há de medonho.
Rebusca o passado e esconde o futuro.
Mostra o presente como se fosse inseguro.
Não dá guarida.
Não tira medidas.
Atravessa-se na vida.
Vai e vem, como uma onda.
Refaz o caminho.
Desfaz as pegadas.
Dá gargalhadas!
Brinca com as dores, esconde e 
mostra as cores.
E todos se chamam “Dolores”.
Não há distinção, só um rolar 
de emoção, um extravasar da razão 
quando se houve um não.
A realidade é soberba.
A vida enferma.
O mundo, dilema.
Vivemos o mundo
O mundo nos vive.
E não há quem diga:
- Que pena...

domingo, 8 de abril de 2012

AQUÉM DO AMOR


Quando o chão acolhe os passos trôpegos

já cansados da caminhada íngreme,

tatua no solo as pegadas de passos solitários

em busca do arrefecimento da dor.

Traz no caminhar a esperança de encontrar

a si mesmo num ponto marcado seja em que

lugar for aquele que nem mesmo podemos supor.

Marcado pelo destino.

Onde não há diretrizes

Onde se vislumbram as matizes das cores

ainda não definidas, apenas sentidas na

persistência da imaginação que insiste no

colorido em vez da razão.

No solo as pegadas tatuadas contam a

história de alguém que, do amor, vive aquém.

Prefere percorrer longos caminhos à

no amor fazer seu ninho.

Pois nele não acredita.

Sofre com a sina da fuga e

ao solo entrega sua saga maldita!


sábado, 7 de abril de 2012

NO SILÊNCIO DA MADRUGADA


O silêncio da madrugada abriga

corações solitários que fazem barulho em meio

às lembranças que ainda aturdem a alma.

Enquanto alguns vivem a realidade

da noite frenética,

outros invadem o silêncio.
Buscam na calmaria dessa mesma noite,

a carícia da brisa fresca embalando

pensamentos bucólicos, retroagindo ao passado

nas diversas recordações de um tempo vivido

intensamente, mas que já passou.

A necessidade de reviver cada momento,

mesmo que em pensamentos,

traduz a vida revivida nas chamas

de um coração solitário.

Já não se conseguem imaginar como

o tempo passa tão rápido e como

as coisas que, um dia, foram boas,

hoje provocam emoção e dor.
 
Já passaram.

  Já passou.

Ainda, provocam dor.

  Voltar atrás, só na leveza do pensamento...

Sobrevoar as alturas de uma noite

que silencia enquanto o coração faz

barulho sob o firmamento.


O PODER É O ALVO


Pela intransigência se pode

chegar à demência.

Às raias da loucura, se invade espaços,

sobrecarregam-se ombros e braços.

O corpo recebe sem, poder digerir, as

agressões ocasionadas pela

privação dos sentidos.

O raciocínio é ilógico, nascido de

sentimentos pouco nobres.

O orgulho empina o nariz,

mas nas atitudes não condiz.

A ambição pisa,

maltrata

e sucumbe a razão.

Invade territórios que não são seus,

 e constroem teatros feito fariseus.

O poder é o alvo!

Quem dera ser salvo!

Da loucura.

Da imprudência.

Do orgulho.

Da ambição.

Da dolência.

O poder é o alvo!

Quem dera ser salvo!


sexta-feira, 6 de abril de 2012

PASSADO QUE AINDA SE QUER


Os olhos encontram-se parados

num ponto qualquer.

Parecem olhar o futuro, embora, ainda,

vislumbrem o passado

na tênue lembrança do que foi bom,

e ainda se quer.

Procuram enxergar o ontem como

 se fosse o amanhã,

numa mentira descabida a virar

uma página ainda não escrita.

Buscam aliviar a dor na ilusão de que lá,

em algum lugar, existe alguém a esperar.

Alguém que ainda vive na lembrança,

que refaz os sonhos

e insiste na perplexidade do olhar.

Olhar parado, distante,

fixo num ponto qualquer,

que não consegue sair de si,

e ir ao encontro da vida

que está por vir e ainda se quer.

Sem brilho os olhos refletem o passado

e ignoram o futuro.

Não há como tirar os pés do chão.

Dar o primeiro passo é preciso para

romper fortes laços, e deixar de lado a ilusão.
 
Ilusão que condena o corpo,

a alma e o coração.

Estagna os sonhos.
 
Vê o futuro, mas não consegue livrar o olhar

do passado que, dele, está impregnado.

Os olhos parados, fixos num ponto qualquer,

só fazem a dor sufocar o presente,

anular o futuro e manter o passado

que ainda se quer.


AMOR JOVEM



Houve um tempo em que o amor era farto.

Estava por toda a parte.

Estava por todo o canto.

Bastava olhar para o amor encontrar.

Era um amor constante.

Amor inteiro.

Amor verdadeiro.

Trazia ao coração,

promessas que se cumpriam.

Que do nada surgiam e,

mostrava o colorido das flores

nas diversas soleiras das janelas.

Fazia do som, a música.

Da música, poesia.

Da poesia, vida!

Nunca pedia guarida.

Não precisava.

Pois o amor, sempre encantava.

Não tinha tempo para sofrer coisas vãs,

pequenas,

corriqueiras.

O amor só queria amar e

em tudo se propagar.

Vencer o tempo.

Superar os percalços.

Tornar firme os laços.

Mas o amor era jovem,

não sabia que a vida o quebraria

em mil pedaços.

Bastou o tempo passar para o amor

não mais se encontrar.

quinta-feira, 5 de abril de 2012

HAVIA VOCÊ



O que fazer com a dor

que circunda o peito?

O que fazer com a luz

que se deixou escurecer?

O que fazer com o brilho

que se deixou ofuscar?

O que fazer?

Havia alegria.

Havia luz.

Havia brilho.

O que fazer?

Havia você.


CADÊ



Cadê você,

que foi chegando sorrateiramente,

e arrancou de meu

peito os melhores suspiros?

Deveria estar aqui...

Um dia, quem sabe?