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sábado, 7 de abril de 2012

O PODER É O ALVO


Pela intransigência se pode

chegar à demência.

Às raias da loucura, se invade espaços,

sobrecarregam-se ombros e braços.

O corpo recebe sem, poder digerir, as

agressões ocasionadas pela

privação dos sentidos.

O raciocínio é ilógico, nascido de

sentimentos pouco nobres.

O orgulho empina o nariz,

mas nas atitudes não condiz.

A ambição pisa,

maltrata

e sucumbe a razão.

Invade territórios que não são seus,

 e constroem teatros feito fariseus.

O poder é o alvo!

Quem dera ser salvo!

Da loucura.

Da imprudência.

Do orgulho.

Da ambição.

Da dolência.

O poder é o alvo!

Quem dera ser salvo!


sexta-feira, 6 de abril de 2012

PASSADO QUE AINDA SE QUER


Os olhos encontram-se parados

num ponto qualquer.

Parecem olhar o futuro, embora, ainda,

vislumbrem o passado

na tênue lembrança do que foi bom,

e ainda se quer.

Procuram enxergar o ontem como

 se fosse o amanhã,

numa mentira descabida a virar

uma página ainda não escrita.

Buscam aliviar a dor na ilusão de que lá,

em algum lugar, existe alguém a esperar.

Alguém que ainda vive na lembrança,

que refaz os sonhos

e insiste na perplexidade do olhar.

Olhar parado, distante,

fixo num ponto qualquer,

que não consegue sair de si,

e ir ao encontro da vida

que está por vir e ainda se quer.

Sem brilho os olhos refletem o passado

e ignoram o futuro.

Não há como tirar os pés do chão.

Dar o primeiro passo é preciso para

romper fortes laços, e deixar de lado a ilusão.
 
Ilusão que condena o corpo,

a alma e o coração.

Estagna os sonhos.
 
Vê o futuro, mas não consegue livrar o olhar

do passado que, dele, está impregnado.

Os olhos parados, fixos num ponto qualquer,

só fazem a dor sufocar o presente,

anular o futuro e manter o passado

que ainda se quer.


AMOR JOVEM



Houve um tempo em que o amor era farto.

Estava por toda a parte.

Estava por todo o canto.

Bastava olhar para o amor encontrar.

Era um amor constante.

Amor inteiro.

Amor verdadeiro.

Trazia ao coração,

promessas que se cumpriam.

Que do nada surgiam e,

mostrava o colorido das flores

nas diversas soleiras das janelas.

Fazia do som, a música.

Da música, poesia.

Da poesia, vida!

Nunca pedia guarida.

Não precisava.

Pois o amor, sempre encantava.

Não tinha tempo para sofrer coisas vãs,

pequenas,

corriqueiras.

O amor só queria amar e

em tudo se propagar.

Vencer o tempo.

Superar os percalços.

Tornar firme os laços.

Mas o amor era jovem,

não sabia que a vida o quebraria

em mil pedaços.

Bastou o tempo passar para o amor

não mais se encontrar.

quinta-feira, 5 de abril de 2012

HAVIA VOCÊ



O que fazer com a dor

que circunda o peito?

O que fazer com a luz

que se deixou escurecer?

O que fazer com o brilho

que se deixou ofuscar?

O que fazer?

Havia alegria.

Havia luz.

Havia brilho.

O que fazer?

Havia você.


CADÊ



Cadê você,

que foi chegando sorrateiramente,

e arrancou de meu

peito os melhores suspiros?

Deveria estar aqui...

Um dia, quem sabe?




CINZA


O dia está cinzento...

Mesmo cinza, é dono de um brilho que

só os dias ensolarados possuem.

Este brilho tem origem nos olhos de alguém que

te ama e que traz a chama de um

coração repleto de amor.

Quem olha esse dia com olhos comuns,

só vê o cinza na cor,

mas quem olha com os olhos do amor,

somente vê o seu esplendor.

Insere-se a este contexto, como se fosse às flores,

o vento e o firmamento.

Busca no mar as ondas crespas e

encontra a serenidade da alma no livramento,

numa liberdade incomum aos comuns,

porque só é vivida,

por uma vida abastada pelo teu amor.

Faça sol ou faça chuva,

o brilho persistirá enquanto eu te amar.

És meu mar.

És meu ar.

És o vento.

És a chuva.

És o sol e até o firmamento.

Trazendo ao meu coração,

o sentimento de amar-te a todo o momento,

numa entrega total de amor.

Esse amor que tira das entranhas,

as mais loucas façanhas, na aventura de viver

doces loucuras, sem o menor pudor.

Vejo-te em meus sentimentos,

carregando flores ao vento,

embaladas pelo caminhar ofegante

de um coração palpitante, louco por me ver.

Louco por me querer.

Nessa querência, abasteço-me do néctar

e perfumo os pensamentos que te trazem até mim,

em sinfonia, tirando a agonia de não te ver,

por apenas mais um dia.

Esse dia é cinza.



DOA A QUEM DOER


Na altivez do poder, entre decisões a tomar

e aos subordinados comandar

pessoas se embrenham pelas

veredas da insensatez.

Confundem-se ao vislumbrar

o próximo passo,

a próxima ordem a ser dada.

Afastam o significado do que possa

ser um trabalho honrado.

Ética?

Nem pensar!

O que vem a ser isso?

Talvez não passe de desperdício.

Desperdício de palavras.

Ao sabor do vento, atingem seus

mais mesquinhos intentos.

Sobem um degrau por vez,

onde a escada é pessoas.

Não interessa o estrago.

Não interessa o rastro que deixa o tornado.

O que importa é preservar o seu... sei lá o quê.

O que importa é não pagar pra ver.

É deixar rolar...

Doa a quem doer!