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terça-feira, 8 de novembro de 2011

SILÊNCIO




O coração está quieto...

Toda a euforia trazida por um novo amor arrefeceu.

O silêncio traz nas profundezas de sua sutileza,

lembranças recentes e que se tornaram ausentes

com o vagar das horas inquietas.

Há um vazio inexplicável nessas horas tão incertas,

onde a dúvida sobrecarrega o corpo,

já inerte pelo desalento.

Foram-se os bons pensamentos...

Ficaram as tristes lembranças de alguns momentos...

Tudo parece ter sido em vão e sobrou apenas,

a triste razão.

Razão esta que apunhala o coração

desagrega sentimentos, sobrecarrega ao sabor do vento.

Esse vento que parece acariciar a tez enrijecida,

condoída e castigada pelo cansaço da crença,

novamente, desafiada!

Como se soubesse e sentisse o que vai à alma,

querendo através da brisa fresca, acariciar o pranto

e fazer ouvir o acalanto que aos ouvidos, consola.

Ah! Vento... Vento...

Só tu és capaz de varrer a dor que está em meu peito!

De sufocar o silêncio que oprime, reprime e a tudo acoberta.

As interrogações são diversas.

As dúvidas controversas divergem o tempo todo.

Ora verdadeiras, ora falsas, desalinham os sonhos

e trazem a realidade arrebatadora da saudade.

Uma saudade que comprime o ar que enche

os pulmões, sufocando todo e qualquer

pensamento que trouxesse alento ao coração.

Este silêncio angustia.

Este silêncio silencia.

Silencia as vozes em meio ao ato sublime do amor.

Vozes que gemiam...

Que aturdiam no prazer absoluto, onde dois corpos

estavam juntos, unidos no sagrado ato desse amor.

Onde não havia espaço entre o côncavo e o convexo.

Onde nada foi complexo.

Onde tudo tinha nexo e não era apenas só sexo.

Mas, o silêncio...

Este sim é desconexo!



domingo, 6 de novembro de 2011

ABSOLUTO



Na espera de um amor real atenuei os sonhos.

Não esmoreci...

Esperei.

Do acaso, tu surgiste onipotente, absoluto!

E nesse encontro o amor resoluto!

No despertar das emoções ativei meus

instintos, no teu corpo.

Do dia fiz a noite.

Insaciável queria mais.

No limiar das emoções habitei teu ser ostentando

o prazer que, por querer, comunguei.



BORBOLETAS AO VENTO

Foi você que surgiu assim de repente, e ressuscitou 
emoções contidas.
 Refez meus sonhos, minha vida, ninou minh’alma,
num cântico sublime.
Arrastasses o meu coração para o teu.
Norteasses meu corpo, com inimagináveis carícias.
Desarmasses minha guarda, me deixando 
a mercê do teu encanto!
 Ofuscasses meus olhos, com o brilho do teu amor!
 Logo, me apaixonei.
 O sol voltou a brilhar...
 Não pude me conter diante do teu olhar!
 Guiei meu coração,  por essa estrada incerta,
na certeza de amar-te, como nunca amei ninguém.
 Recriei espaços, inventei borboletas ao vento,
dissipei minhas dúvidas.
 Ilusão?
Não.
 Nunca.
 Jamais!
És o homem que pra sempre, 
eu hei de amar!

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

CONTO DO "DESLIZE"



Sueli Dutra
Esse conto não é fictício, é história real! Vale a experiência para que se reflita sobre há quantas anda, a índole  do  ser humano, do que é capaz de fazer para atingir  seu  intento, deixando de lado todo e qualquer sentimento de respeito e consideração  pelo  próximo e,  consequentemente,  por  si mesmo.


Foi numa tarde de inverno, num varal e sarau literários, que a moça sentiu-se observada por um homem com aparência austera, e de um mistério ímpar.
Em meio aos sorrisos, e vozes misturadas ao barulho do lugar, o homem se fez notar com poucas palavras.
Procurava saber algo mais sobre aquela moça, de forma que pudesse comunicar-se com ela o mais breve possível, porém, nada conseguira.
A moça, embora omissa, mal conseguia esconder o que aqueles olhos lhe faziam sentir ao observá-la com tanto cuidado.
Não podia negar que se sentia tocada.
Mesmo assim, ignorou o interesse daquele homem, e permaneceu discreta.
A tarde acabara, mas nada ficara esclarecido.
Permanecia a dúvida sobre o que aquele homem queria dizer no olhar...
Foi difícil negar que também sentira algo mais, ao mesmo tempo, sentia que um dia viria ao seu encontro.
Alguma coisa mudou naquela tarde, porém, nada aconteceu.
Passaram-se alguns meses, e a lembrança daquele homem não saíra de sua cabeça...
Quando já contava, exatamente, um ano, recebera um e-mail que pedia uma confirmação: se era ela a moça que um dia ele conhecera numa tarde, num varal e sarau literários, e que a procurava por todo esse tempo.
A moça ao ler, mal cabia em seu próprio corpo, pois a euforia lhe tomara conta.
Previa que ele viria, só não tinha percebido, que um ano se passou.
O homem se disse apaixonado, solitário, e com o coração desocupado à espera da moça que sem nada fazer, o encantara naquele dia.
Falou da sua beleza, da tristeza que viu em seu olhar, da voz de tom baixo, prenunciando suposta decepção vivida, e da forma carinhosa, a qual tratava sua filha, (a moça estava com sua filha no sarau).
Poemas apaixonados e apaixonantes lhe dedicou.
Falou de seu amor, do quanto a havia procurado, e feito um louco estaria disposto a bater de porta em porta, até encontrá-la.
Falou da inspiração provocada, e que nunca ninguém o havia inspirado tanto!
Enfim, trocaram alguns e-mails por mais uns quinze dias, até encontrarem-se pessoalmente.
Começara aí, suposta linda história de amor.
Por dois meses aquela moça vivera os melhores dias de sua vida!
Acreditava ter encontrado seu grande amor.
Mas, o seu amado se disse com problemas sérios de família, tornou-se ausente e pediu compreensão.
A moça acatara seu pedido e procurou compreender o máximo que pode.
Contudo, não dava para compreender o silêncio, as poucas palavras nos e-mails trocados, à falta de encontro nem que fosse para dizer: -"Estou aqui".
Tudo ficara confuso.
Até que um dia, ela recebeu um e-mail de uma pessoa dizendo:
"Para que saibas"...
Nele a verdade se fizera presente.
Falava de amor.
Falava de um grande amor.
E, que não era o dela.
Não era daquele homem por ela.
Era daquele homem por outra.
Descobriu-se também que era casado.
A moça era a "outra" da "outra" que lhe mandara o e-mail!
E essa, por sua vez, encontrara os e-mails que ele trocara com aquela moça, e enlouquecida, o pressionou em nome da verdade, e ele respondeu, com desdém, sem titubear:
- Aquela "mulher" (a moça), foi apenas, um "deslize"!
                                                       

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

DESENCONTRO



Se um dia quiserdes me ver, lembre-se:


                       Estou aqui.


Se um dia quiserdes me amar, lembre-se:


                      Estou aqui.


Se um dia quiserdes sonhar, lembre-se:


                      Estou aqui.


Se um dia quiserdes chorar, lembre-se:


              Não irás me encontrar.



SER



Feito flor em meio ao jardim

enfeitas meu ser.

Feito nau no oceano

navegas meu ser.

Feito luzes no palco

iluminas meu ser.

Feito pássaros cantarolando

cantas minh”alma.


TEMPO



Havia desejo.

Fanfarras habitavam um coração,
ansioso por amar...

Pediu-se um tempo.

O tempo expirou.

Ao expirar o amor, finalmente,
entregou-se ao coração.

Ao entregar-se, calou.