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sexta-feira, 26 de junho de 2015

CUMPLICIDADE

Lá fora o tempo parece dizer não.
Está frio.
O vento desarruma tudo e esquenta o coração.
Da janela observo suas traquinices...
Deixo-me levar.
No meu mundo interior, me ponho, então, a vaguear.
Na dança do vento, entre folhas, sorrio para o horizonte.
Encho o coração de esperança, e me abasteço dessa fonte.
O céu não se abre nesse dia.
Apenas, autoriza a ventania.
Como eu, está imune.
Simplesmente observa o tempo bravio, 
não recrimina, e a ele se une.

quinta-feira, 25 de junho de 2015

NO VAIVÉM DA VIDA

 Pelos caminhos sou levado sem saber pra onde vou.
Pela vida sou arrastado, e do coração sou detentor.
Vida que vai.
Vida que vem.
Dos laços procuro estar aquém.
Sigo em frente na medida.
Para os sonhos sou alma refletida.
Emudeço a voz do coração.
Sigo a vida sem expressão.
Firmo os passos sem percalços.
Para o mundo abro os braços, e pra tristeza digo não. 

quarta-feira, 24 de junho de 2015

SEM FRONTEIRAS


O caminhar traceja no chão o esboço de uma vida.
Desenha sem compasso o descompasso dos passos.
No chão, formas desmedidas.
Pegadas a esmo embrenham-se em vielas.
Pela incoerência atropelam a sapiência.
Nos atalhos os pés em frangalhos.
Já não se acha o horizonte.
O caminho tornou-se distante.
Vias que vão sem que encontre alguém.
Vias de mão única que estão aquém.
Lado a lado formam paralelas.
Não se entende os porquês das mazelas.
Talvez fosse melhor parar ou se deixar pelo destino guiar.
Sem grilhões, sem brasões, sem fronteiras.
Somente permear o chão, e galgar os passos por uma vida inteira.